17 de jun de 2010

Hiroshima, Meu Amor (1959)

A ambiguidade da cena de abertura dá o tom de "Hiroshima, Meu Amor". As imagens do Museu de Hiroshima e do hospital, onde centenas de vítimas da radiação morriam, são acompanhadas por uma voz de mulher dizendo que ela viu e sentiu tudo em Hiroshima, o calor, o sofrimento, e assim por diante. Mas uma voz masculina nega suas afirmações, insistindo: "Não, você não viu nada”.

Passado e presente parecem se fundir e dentro do contexto do amor e da guerra, a mensagem é clara: não devemos esquecer. A beleza e força do filme vem primordialmente a partir da brilhante edição. Nos primeiros 15 minutos o diretor Alain Resnais usa uma poética estrutura elíptica que embaralha a edição de imagens em preto e branco, com imagens de noticiários e imagens de guerra, reconstruídas em conjunto para nos atrair ao tema da memória. Depois, somos atraídos para o romance e ainda à justaposição do passado e do presente de forma fascinante.

A trama começa num quarto de hotel onde um casal conversa. Logo sabemos que Elle (Emmanuelle Riva) é uma atriz francesa que vai a Hiroshima fazer um filme sobre a paz. Lá, ela conheceu o arquiteto japonês Lui (Eiji Okada), com quem passou a noite apesar de serem ambos casados. Lui é de Hiroshima e perdeu toda sua família quando a bomba foi lançada, enquanto estava fora da cidade. Ela voltará à Paris no dia seguinte e Lui insiste em vê-la novamente.

Ela começa a recordar a tragédia de um amor com um soldado alemão (Bernard Fresson), durante a ocupação da França na Segunda Guerra, proporcionando um paralelo com o presente. No dia em que sua cidade natal foi libertada, ele foi morto e ela foi submetida à desonra pública. O diretor coloca uma questão muito simples: Como podemos esquecer a tragédia?


"Hiroshima, Meu Amor" lida com contrastes, como amor e morte, guerra e paz, passado e presente. O filme foi analisado por críticos, estudiosos e cineastas, e foi reconhecido como um marco do cinema e uma referência por todos. É inegavelmente um dos filmes mais importantes do século 20, tanto por sua inovação, bem como o seu significado profundo e é visto como um caso exemplar de colaboração artística. Foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro mas não levou.

Hiroshima, Meu Amor (Hiroshima, Mon Amour, 1959)
Diretor: Alain Resnais
Roteiro: Marguerite Duras
Elenco: Emmanuelle Riva, Eiji Okada, Bernard Fresson, Stella Dassas, Pierre Barbaud

Trailer em francês:

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