15 de jun de 2010

Movimentos do Cinema: Nouvelle Vague francesa

Movimento artístico cuja influência no cinema tem sido tão profunda e duradoura após muitos anos, a Nouvelle Vague (Nova Onda) teve sua explosão e auge entre 1958 e 1965. Tudo começou quando dois intelectuais franceses, André Bazin e Jacques-Donial Valcroze, fundaram a revista de crítica cinematográfica Cahiers du Cinéma. Alguns dos pioneiros do movimento, François Truffaut, Jean-Luc Godard, Alain Resnais, Eric Rohmer, Claude Chabrol e Jacques Rivette começaram como críticos na famosa revista.

La Nouvelle Vague teve dois princípios: O primeiro foi na forma de filmar com a rejeição dos estúdios americanos, em favor da mise-en-scene, privilegiando tudo que está em cena, além da utilização da câmera na mão e longas tomadas. O segundo foi a convicção de que os filmes são uma expressão artística pessoal, assim como as obras da literatura ou da pintura. Este último princípio seria apelidado pelo crítico americano Andrew Sarris como cinema autoral. Esse termo foi cunhado para o grupo de intelectuais, influenciados por diretores mais autorais como Jean Renoir, Jean Vigo, John Ford, Alfred Hitchcock e Orson Welles. Os críticos da Cahiers sabiam muito da teoria, mas pouco da realização de um filme. Além disso, eles tiveram que trabalhar com baixos orçamentos. 

"Nas Garras do Vício" (Le beau Serge, 1958), de Claude Chabrol, é considerado o primeiro longa-metragem do movimento. Ele utilizou o lucro arrecadado para fazer seu segundo trabalho, "Os Primos" (Les Cousins, 1959). Esse seria o primeiro filme de Chabrol a conter sua visão sarcástica do mundo e ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim. E foi em 1959 que a “onda” surgiu de fato com mais três filmes de cineastas que emergiam. "Os Incompreendidos" (Les 400 Coups), de François Truffaut, "Hiroshima, Meu Amor" (Hiroshima, Mon Amour), de Alain Resnais, além de "Acossado" (À Bout de Souffle), de Jean-Luc Godard, atordoaram o mundo e difundiram as ideias desses críticos que agora se tornavam cineastas inovadores.

"Os Incompreendidos" é o primeiro de uma sequencia de filmes semi-autobiográficos que Truffaut faria com o ator Jean-Pierre Léaud, interpretando Antoine Doinel. A obra, incrivelmente sentimental, conta a história de um adolescente que foge de casa ao invés de lidar com seus pais negligentes e o rígido professor. Premiado com melhor direção em Cannes, ainda foi indicado ao Oscar de melhor roteiro. Em "Atirem no Pianista" (Tirez Sur le Pianiste, 1960), a trama contava a história de um crime, mas foi um fracasso de bilheteria. Em sua terceira obra "Uma Mulher Para Dois" (Jules et Jim, 1962), Truffaut impressiona com um triângulo amoroso que teve algumas premiações em festivais. “Fahrenheit 451” (1965) foi erroneamente tratada mais como uma ficção científica do que como uma parábola. Truffaut realizou algumas entrevistas com Hitchcock que se tornou um livro, mas foi o trabalho de Chabrol que seria mais frequentemente comparado com o do diretor inglês. "Mulheres Fáceis" (Les Bonnes Femmes, 1960), é um perfeito exemplo.

Godard é o diretor mais influente e lembrado do movimento. Com "Acossado", ele recebeu o Urso de Prata em Berlim de melhor diretor e curiosamente o filme é baseado em uma história de Truffaut. O triângulo amoroso de "Uma Mulher é Uma Mulher" (Une femme est une femme, 1961), trás o conflito de relacionamento quase sempre presente nas obras de Godard e ganhou o prêmio da crítica no Festival de Berlim. "Viver a Vida" (Vivre sa vie, 1962) recebeu o prêmio especial do júri em Veneza e é um dos mais definitivos do movimento. "Banda à Parte" (Bande à Part, 1964) mostra um sentimento que não se viu em nenhum outro trabalho do diretor. Um dos mais célebres filmes de Godard, "O Demônio das Onze Horas" (Pierrot le fou, 1965) marca a radical quebra da narrativa convencional. "Alphaville" (1965) é uma homenagem à ficção científica e faturou o Urso de Ouro em Berlim. Em "A Chinesa" (La Chinoise, 1967) Godard já mostrava seu lado politizado de fazer cinema que tornou seus filmes menos acessíveis.

Um dos filmes mais inventivos do início do movimento, "Hiroshima, Meu Amor", de Resnais, se distingue da maioria dos outros clássicos pelo seu roteiro forte, escrito por Marguerite Duras, indicado ao Oscar. "O Último Ano em Marienbad" (L’Année dernière à Marienbad, 1961) é um quebra-cabeça completo que torna passado, presente e futuro, sem sentido. A obra venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza, além da indicação ao Oscar de melhor roteiro. A única mulher a ser incluída neste movimento é Agnès Varda. A contribuição mais importante dela foi o seu segundo filme, "Cléo das 5 às 7" (Cléo de 5 à 7, 1962), indicado a Palma de Ouro em Cannes. Louis Malle é outro expoente da Nouvelle Vague. Seu primeiro filme, "Elevador para a forca" (Ascenseur pour l'Echefaud, 1958) foi uma história de suspense, mas a melhor contribuição de Malle foi "Zazie no Metrô" (Zazie dans le Metro, 1960). 

Os cineastas da Nouvelle Vague tornaram o movimento um dos mais influentes da história do cinema. Muitos dos filmes se tornaram populares e aclamados. O estilo trouxe diálogos improvisados, rápidas mudanças de cena e a utilização da câmera na mão, uma regra até então inviolável. As técnicas utilizadas e a abordagem estilística podem ser vistas como uma luta desesperada contra a indústria do cinema americano.

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