28 de jun de 2010

Uma Mulher é Uma Mulher (1961)

Em "Uma Mulher é uma Mulher", segundo longa de Jean-Luc Godard, depois de sua estréia notável em "Acossado", ele retorna à época de sua juventude. É um filme sobre amor e amizade entre jovens e é tão assustadoramente experimental como qualquer outro de Godard, com grandes variações nos níveis de ambiente de áudio, salto nos cortes e legendas explicativas.

Godard passou o filme inteiro brincando com o público em paródia sobre regras cinematográficas contrariando as convenções já estabelecidas. Contudo, o próprio Godard posteriormente julgou como "um filme mudo, sem energia". O filme é brilhante e alegre, mas não para todos.

A trama, como em todos os filmes de Godard, é simples. Angela (Anna Karina) vive com Émile Récamier (Jean-Claude Brialy), em um apartamento miserável e deseja ter um filho, mas ele acha que pode esperar mais um pouco. Angela está sendo paquerada por seu amigo Alfred Lubitsch (Jean-Paul Belmondo), formando assim uma espécie de triângulo amoroso.

Émile e Angela brigam o tempo todo o que a faz procurar Alfred. Émile sai com uma prostituta para tentar esquecer Angela, mas não consegue. Há várias alusões a outros filmes. Em um ponto, Angela explica seu desejo de aparecer em um musical da MGM, estrelado por Gene Kelly e Cyd Charisse e coreografado por Bob Fosse. Alfred pergunta como Jules e Jim? (então sendo filmado por Truffaut), ela responde: Moderato, referindo-se ao seu filme anterior, "Moderato Cantabile".


"Uma Mulher é uma Mulher" foi vencedor de dois prêmios no Festival de Berlim, incluindo o Prêmio do Júri e o de atriz para Anna Karina. Foi indicado ao Urso de Ouro no mesmo festival, mas não levou. 

Cada filme de Godard é baseado em opostos, assim as dúvidas do crítico e diretor ainda são parte do processo. Cada filme de Godard é auto-indulgente, mas nenhum filme de Godard foi burro, ou leve - todos eles são recheados com imagens, com idéias, com perguntas.

A idéia por trás da obra, disse Godard, era fazer um musical neo-realista. Essas alusões permitem a Godard nos mostrar a vida - literária e cinematográfica. A arte é definida por seu ser diferente da vida. E ele continua a lembrar-nos, porque, enquanto nos lembramos, seremos participantes em seus filmes, e não meros espectadores.

Uma Mulher é Uma Mulher (Une femme est une femme, 1961)
Direção: Jean-Luc Godard
Roteiro: Jean-Luc Godard
Elenco: Anna Karina, Jean-Paul Belmondo, Jean-Claude Brialy
Trailer em francês legendado em inglês:

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