31 de mai de 2010

Rastros de Ódio (1956)

Considerado o maior realizador de westerns, o diretor John Ford atingiu o ápice em "Rastros de Ódio", em mais uma parceria com John Wayne, principal astro deste gênero do cinema americano. Mas, este filme, em especial, foge um pouco da visão romanceada do Velho Oeste e o resultado é uma história mais densa, com um protagonista mais rude e complexo dando espaço para preconceito, intolerância e ódio. O roteiro, a fotografia, e a trilha sonora estão perfeitas.

Na trama, Ethan Edwards (John Wayne) é um veterano da Guerra de Secessão, mas só retorna três anos após o fim dos combates. De volta à casa do irmão Aaron (Walter Coy) no Texas, ele se mostra amargo e rancoroso. Revela um ódio mortal dos índios a ponto de rejeitar Martin Pawley (Jeffrey Hunter), jovem mestiço que protegeu quando criança e entregou para seu irmão criar.

Depois que um grupo comanche mata seu irmão e sua nora e rapta as sobrinhas Lucy e Debbie, Ethan se junta a Martin para uma busca que dura alguns anos. Com uma pista do paradeiro de Debbie, já que descobrem Lucy morta, eles vão atrás do acampamento do cacique Cicatriz que pode ser o seqüestrador da menina. Enquanto isso, Laurie Jorgensen (Vera Miles) espera ansiosa por Martin, pois deseja casar-se com ele.

O início do filme mostra a abertura da porta que dá para o deserto. A cena apresenta o tema visual do filme e limiar entre os dois mundos, o civilizado no interior e o selvagem no lado de fora. A cena final com John Wayne se afastando desta porta virou vinheta de Hollywood (no canto direito da foto). Ethan Edwards é um dos personagens mais interessantes que o cinema já retratou e com certeza o papel mais sólido de Wayne. Um homem individualista, sem família e motivado pelo ódio, um tipo de anti-herói em busca de vingança.

Por isso é um dos filmes mais influentes dos anos 50 e que inspirou vários diretores como Sérgio Leone, Martin Scorcese, Steven Spielberg, Jean-Luc Godard, Wim Wenders e George Lucas. Esta obra-prima de John Ford aborda o racismo de maneira realista, uma verdadeira crítica contra o preconceito. Pena ter sido mal-interpretado na época e negligenciado pela Academia. Por esse motivo não recebeu uma indicação ao Oscar sequer.

Rastros de Ódio (The Searches, 1956)
Direção: John Ford
Roteiro: Frank S. Nugent
Elenco: John Wayne, Jeffrey Hunter, Vera Miles, Walter Coy, Natalie Wood, Hank Worden

Cena final que virou vinheta:

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